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30/08/2021

George Barris (Parte 1)

Aqui no Blog adoramos falar dos ícones do mundo da customização (Ed Roth, Alexander Brothers, Bill Hines, Gene Winfield, Dick Dean, Dean Jeffries, Kenny Howard e tantos outros), 
mas faltava falar daquele que, talvez, tenha ido mais longe neste universo...
Em 20 de novembro de 1925, em Chicago, Illinois, nascia Geoge Salpatas, filho de uma família de imigrantes gregos. A mãe de George morreu quando ele tinha 3 anos, então seu pai decidiu manda-lo junto com o irmão Sam para viver com os tios em Roseville, Califórnia.
Com apenas 7 anos George começou a fazer modelos de carros e aviões com madeira de balsa, aos 9 já tinha vencido vários concursos patrocinados por lojas de hobby da região. Os irmãos Barris sempre tiveram interesse por artes plásticas, com apoio da família chegaram a fazer sucesso em apresentações de canto em teatros e em rádios locais.
Apesar do sucesso precoce nunca deixar de ajudar no negócio familiar, um restaurante grego. Em 1938 quando os irmãos chegaram ao ensino médio conseguiram o primeiro carro, um Buick 1925, que foi um reconhecimento dos tios ao trabalho dos irmãos.
Não demorou, porém, para eles promoverem algumas "mudanças" no carro, George modificou os para-lamas e Sam pintou o carro de laranja e azul com listras diagonais de várias cores. Sem eles planejarem este foi o primeiro carro personalizado da "Barris Kustoms"
No mesmo ano eles decidiram vender o Buick customizado e investir em outro carro, um Ford Model A Cabriolet 1929. O carro recebeu uma nova pintura e vários acessórios, depois veio um Ford Roadster 1932 e não pararam mais. 
Com o interesse (e talento) pela customização aumentando, os irmãos criaram um clube para proprietários de veículos personalizados, o "Kustoms Car Club". George também frequentava a Brown's Body Shop, um loja em Roseville onde assumia pequenos trabalhos sob a mentoria de Harry Westergard.
Em 1942 a WWII chegava ao auge e os irmãos Barris decidiram largar o trabalho para se alistaram no Exército, Sam foi aceito e George recusado. 
Desapontado, George tentou a marinha mercante e aos 18 anos se mudou para Los Angeles aguardando ser designado para um navio e, porque não, ficar mais perto das "cultura dos carros". 
Ele nunca chegou a ser designado para um navio... sorte nossa!
Neste período George trabalhava na "Jones's Body, Fender & Paint Shop", ele não estava feliz porque era uma oficina de reparos e não de customização, por isso decidiu abrir a sua própria loja no final de 1944 na Imperial Highway, Bell, Califórnia. 
Bob Hirohata
Com o final da guerra, após ser dispensado, Sam Barris se uniu novamente ao irmão para criarem novos projetos de customização, com esses trabalhos em 1946 criaram a "Barris Kustoms".
O trabalho Barris Kustoms logo atraiu a atenção de clientes da indústria cinematográfica, eles foram contratados para desenvolver diversos projetos para executivos, estrelas de cinema e para utilização nos filmes. 
Também nesta época se tornaram amigos de Robert E. Petersen, fundador das revistas Hot Rod e Motor Trend e, mais tarde, do Petersen Auto Museum. 
Em janeiro de 1948 os irmãos Barris venceram o seu primeiro "Hot Rod Exposition Show" no National Guard Armory em Los Angeles, o prêmio foi fundamental para consolidar a Barris Kustoms e possibilitar a ampliação dos negócios para novas instalações na Avenida Compton, 7674.
Em agosto de 1951, George foi estudar design automotivo na Europa, visitando Itália, Alemanha e França. Neste mesmo ano um cliente viu um Mercury customizado (carro pessoal de George) e encomendou algo parecido, o projeto ficou conhecido como "Bob Hirohata's 1951 Mercury" sendo mostrado no salão GM Motorama em 1952, onde ofuscou a concorrência. 
Ala Kart
Depois veio a pickup Ford Model A 1929 chamada "Ala Kart" vencedora do AMBR (America's Most Beautiful Roadster) por duas vezes, além de diversas aparições em filmes no cinema e televisão. 
Sam Barris decidiu deixar o negócio de customização em 1956, pois sentia que deveria se dedicar mais a sua família. George seguiu determinado, se casou em 1958 com Shirley Nahas, que teve participação fundamental na promoção da empresa, agora chamada de Barris Kustom Industries, e na organização de exposições pelo país.
Tal qual outros customizadores de sucesso na década de 1950, George começou a licenciar seus projetos para fabricantes de miniaturas e brinquedos como Aurora, Revell, MPC e AMT, consolidando o nome Barris por todos os cantos dos Estados Unidos. A pickup Ala Kart foi um dos kits mais populares da AMT na época.
A esta altura, George Barris já era considerado uma celebridade. Na 12ª edição anual do National Roadster Show, realizada de 22 a 28 de fevereiro de 1960, foi criado o "hall da fama do Roadster" dedicado aos melhores da customização e construção de carros personalizados. Os primeiros indicados foram; Joe Bailon,
Ezra Ehrhardt, Romeo Palamides, Gordon Vann, Harold Casaurang, Robert E. Petersen, Wally Parks, Walt Moron e, obviamente, George Barris. 
Juntamente com outros ícones da personalização (Gene Winfield, Dean Jeffries e os Alexander Brothers) George foi corresponsável pelos carros de produção para "Custom Car Caravan" e "Lincoln & Mercury's Caravan of Stars", que foram exposições itinerantes organizadas pela Ford para atrair compradores mais jovens e apresentar futuros conceitos.
Apesar de todo esse sucesso em exposições e com seus projetos de customizações, foi no cinema que George Barris virou lenda. 
Como? Contaremos em Breve.

16/06/2021

Muroc Dry Lake

Os lagos secos dos EUA, em especial os localizados no deserto de Mojave na California, são considerados o berço dos capítulos mais exclusivos do automobilismo americano, e que dificilmente podem ser comparados a outros eventos mundo afora, as "Land Speed Racing".
Falamos neste post como as disputas de “Land Speed Racing” nasceram no sul da Califórnia na década de 1920, foi quando os primeiros "hot rodders" procuravam locais para, apenas, andar cada vez mais rápido, usando apenas os escassos recursos financeiros e materiais que tinham a mão.
Nesta época, a maior preocupação dos competidores era viver a pura alegria de correr com os seus carros. Simples assim.
O Muroc Dry Lake, hoje chamado de Rogers Dry Lake, situado a nordeste de Lancaster, tornou-se o local favorito para os encontros e provas de velocidade, o leito do lago era adequado para corridas de longa velocidade, por seu um local público, sem movimento e devido ao seu tamanho e a superfície lisa.
Porém, esse atributo também foi notado pelos militares dos EUA no início dos anos 1930, quando escolheram o local para ser um campo de aviação militar, essa decisão fez com que os rodders fossem "expulsos" em 1938.
A nova base chamada de Muroc Army Airfield incorporou a enorme extensão de Muroc Dry Lake, e  mais tarde se tornou a Edwards Air Force Base, que hoje ainda está ativa e tem a pista mais longa do mundo, com 7,5 milhas, sendo usada inclusive como local de pouso para os ônibus espaciais.
A partir de 1938 a maioria das corridas passaram a acontecer nos lagos secos Harper, a noroeste de Barstow, e em El Mirage, a noroeste de Victorville, alguns eventos também ocorreram em Rosamond Dry Lake, ao norte de Lancaster. Mesmo assim, os rodders tiveram acesso esporádico a Muroc até 1942, foi quando o aumento da participação americana no WWII fez o local ser fechado de vez para atividades não militares.
Mesmo nos meios militares, Muroc é consagrado como local de recordes, foi nesta base que Chuck Yeager voou o avião-foguete experimental Bell X-1 atingindo a velocidade supersônica de Mach 1,07 (807,2 mph), em 14 de outubro de 1947.
Voltando ao mundo dos hot rods, no início dos anos 1930 as corridas em Muroc já eram organizadas por associações, como a Muroc Racing Association, o primeiro evento organizado foi realizado em 25 de março de 1931, sendo patrocinado pela Gilmore Oil Company, a taxa de inscrição era de US$1,00.
A SCTA também organizou o seu primeiro evento organizado justamente no Lago Muroc,  realizado em 15 de maio de 1938 e reunindo mais de 300 participantes.
Embora se no começo as corridas fossem para agradar os participantes, começaram a atrair muito público e também ficaram cada vez mais perigosas, pois além da velocidade crescente e baixa segurança dos carros, os carros levantavam um pó alcalino e fino que “cegava” os pilotos que vinham atrás, causando vários acidentes.
Após a guerra, os soldados (rodders) voltaram para casa buscando novas aventuras, os fabricantes de automóveis começaram a produzir novos modelos com motores maiores e mais potentes, as corridas em lagos secos voltaram e continuam acontecendo até hoje na região do deserto de Mojave.
Porém com a "ocupação" militar de Muroc, os rodders não puderam reconquistar o lugar, por isso, atualmente, os maiores eventos deste tipo ocorrem em El Mirage e em Bonneville. Mas, mesmo com essa situação nada apaga a história ou tira a importância de Muroc, para muitos o verdadeiro local "sagrado" das corridas de arrancadas e berço do mundo Hot rod.

10/03/2021

The Alexander Brothers

Os irmãos Larry (22/02/1931 - 25/08/2010) e Mike Alexander (29/08/1933 - 18/07/2014) nasceram e cresceram em Detroit, interessante porque foram poucos os customizadores pioneiros que não eram da Califórnia. 
Em 1948 o irmão mais velho, Larry, entrou para o Exército e em 1952 Mike seguiu o mesmo caminho. 
Após a sua baixa em 1954, Mike seguiu o mesmo caminho do irmão indo foi estudar funilaria e teoria da pintura com G.I. Bill na Wolverine Trade School.
Depois de finalizarem seus estudos os irmãos começaram a trabalhar na garagem do pai depois do expediente, onde afinavam suas habilidades em serviços especiais de carroceria e pintura. 
Mais tarde, Larry comprou uma casa para sua família em Brightmoor, Detroit, lá montaram uma nova garagem, um pouco maior, mas ainda não conseguiam renda para poder largar os seus empregos em tempo integral.
Somente em 1957, com os negócios prosperando, eles decidiram trabalhar no ramo de customização em tempo integral, abrindo a "Alexander Brothers Custom Shop" em Northwestern Highway, perto de Evergreen Road em Detroit.
Em 1958, Mike e Larry customizaram uma picape Ford Modelo A 1931 chamada de "Grasshopper", o projeto ganhou o troféu de melhor pintura no "Detroit Autorama" e começou a chamar a atenção para o trabalho da dupla.
O problema, naquela altura, era conseguir publicidade nas revistas da Costa Oeste, mas isso mudou quando conheceram George Barris, foi um encontro até por acaso. 
Barris também estava estava participando do Detroit Autorama, com o seu XPAK 400, e teve um problema no carro, Barris foi até a oficina dos irmãos para consertá-lo e ficou impressionado com o trabalho deles.
Grasshopper
Em 1959 o "Silver Sapphire", um Ford Coupe 1932 customizado por George Barris junto com os irmãos Alexander foi capa do álbum "Little Deuce Coupe" dos Beach Boys e ajudou a consolidar definitivamente o trabalho de Larry e Mike.
Os irmãos Alexander definiam seu estilo como "limpo e organizado", Mike explicou numa entrevista para o The Rodders Journal que eles chegavam a rejeitar clientes que insistiam em mudanças "erradas". 
O interior de seus carros também era destaque, muitos foram feitos pelo mago dos interiores Ray Kulakowski, que chegou a ter uma área de trabalho própria dentro da oficina dos irmãos Alexander.
The Little Deuce Coupe (na capa do disco)
No começo da década de 1960 os irmãos abriram uma segunda loja em Littlefield, Detroit, pouco depois chegaram a uma terceira loja em Schoolcraft Road. 
Em 1962, Larry e Mike já tinham feito trabalhos com pesos pesados como Harry Bradley (designer da GM), Bill Cushenbery, Gene Winfield, George Barris, Dean Jeffries, Ak Miller entre outros. 
Além disso, tiveram o reconhecimento das próprias fábricas; GM e Chrysler e da Ford que geravam muitas encomendas, no caso da Ford desenvolveram uma linha completa de itens acessórios Mustang, incluindo até uma lâmpada Alexander Bros Mustang GT.
Em 1964 Mike e Larry Alexander realizaram um projeto para Harry Bentley Bradley, a construção levou três anos e foi revelada no Detroit Autorama em 1967; o Dodge DEORA, um ícone da customização. 
A base foi uma pick-up Dodge A100 1965, com esse carro os irmãos Alexander ganharam nove prêmios em exposições nacionais, incluindo o Don Ridler Memorial Award. O sucesso foi tanto que a Dodge colocou o caro em uma turnê e depois acabou virando um protótipo de um carro Hot Wheels e também um kit de modelo plástico Revell em 1968. 
DEORA
Ainda em 1968, alegando estar cansado dos anos de trabalho pesado, Larry decidiu aceitar um emprego na Ford, indo trabalhar no departamento de engenharia de carroceria. 
Mike manteve a loja funcionando com a ajuda de Ken Yanez, mas os irmãos ainda tiveram tempo de um ultimo projeto, um Ford Modelo T 1923 chamado de Banana Top, que deu a eles o terceiro prêmio Don Ridler Memorial em 1969.
Nessa mesmo ano, o prédio da "Alexander Brothers" foi demolido para dar lugar a uma rodovia, Mike então decidiu também aceitar um emprego na indústria automobilística de Detroit, sendo contratado por Larry Shinoda para dirigir o Kar Kraft Design Center. 
Depois em 1970, Mike foi transferido para a American Sunroof Corporation de Heinz Pretcher, onde ficou 25 anos na divisão Custom Craft Division.
Larry Alexander faleceu em Detroit, em 25 de agosto de 2010 aos 79 anos, Mike faleceu em 18 de julho de 2014 no Michigan. 
Estima-se que, entre 1957 a 1969, os irmãos Alexander criaram cerca de 60 carros personalizados que receberam dezenas de prêmios em exposições e concursos de design e customização.
O Deora original, para se ter uma ideia, foi vendido em leilão em 2009 por US$ 324.500,00!!

14/09/2020

Land Speed Racing

As "Land Speed ​​Racing" foram os primeiros capítulos da história do universo hot rod, e
ssas corridas começaram no sul da Califórnia na década de 1920 e existem até hoje.
Naquela época os pioneiros "hot rodders" procuravam desafios, aventura e maneiras de expandir a velocidade de seus carros, mas faltavam recursos e pistas de corrida.
Por outro lado, não faltava criatividade e força de vontade para contornar essas limitações, muitos rodders usavam até seus carros do dia a dia, como Ford modelos A e B de quatro cilindros, para correr e a alternativa para a falta de pistas foi correr nos lagos secos no deserto de Mojave. 
Eram locais que ofereciam o necessário para um carro (ou moto) atingir sua velocidade máxima; ficavam a poucas milhas das grandes cidades, eram abertos ao público e tinham longos trechos de superfícies planas e compactas.
“No início, eles apenas dirigiam seus carros de LA para os lagos secos, tiravam os para-lamas e corriam”, relato de Jim Miller, curador e historiador da American Hot Rod Foundation. 
Na verdade, o sucesso das corridas em lagos secos foram resultado da convergência de muitos fatores; proporcionou encontros de jovens amantes de carros, as dificuldades econômicas pós-depressão, época de uma juventude inquieta, o desafio de fazer disputas, tudo isso aos poucos foi sendo agregado como um estilo de vida.
O lago seco de Muroc, atualmente chamado de Rogers Dry Lake, a nordeste de Lancaster, foi o primeiro local a se tornar popular para disputas ainda nos anos 1920, depois vieram Harper, Rosamond, El Mirage e Bonneville.
Os primeiros eventos eram simples corridas entre 2 ou 3 carros (às vezes até 5), alinhados lado a lado e partindo até uma linha final, o vencedor era determinado por sua velocidade relativa, pois os carros eram "divididos" em grupos de acordo com a sua capacidade ou potência. Nem é preciso dizer que os critérios dessa divisão era motivo de muita controvérsia, ou picaretagem. 
Outra forma de competição eram as provas de quebra de recordes de velocidade, onde o que interessava era a velocidade bruta que um competidor conseguia atingir, utilizando todas as "armas" disponíveis. 
A medida que a popularidade e a velocidade das corridas aumentavam, as coisas ficaram perigosas demais e os acidentes com ferimentos graves cada vez mais frequentes, logo a situação chegou ao ponto da polícia ameaçar fechar tudo. 
Na tentativa de por ordem em tudo, antes de fosse tarde demais, os competidores começaram a ser organizar em clubes e associações.
No começo dos anos 1930 apareceram os grupos organizados, como o "Muroc Racing Association", tais grupos definiam regras e regulamentos para tornar as competições mais seguras e justas (por ex. carros classificados em classes: Roadster, Modified ou Streamliner). 
Em 1937, houve o impulso definitivo quando vários clubes da região de Los Angeles se fundiram e formaram o SCTA "Southern California Timing Association" (contamos sobre isso neste post), no ano seguinte já existiam 23 clubes só na California e o SCTA se tornou órgão de aprovação proeminente destas provas.
As corridas só foram interrompidas na época da Segunda Guerra Mundial por causa do racionamento de gasolina e o alistamento maciço de jovens (competidores). 
Com o final da guerra, e a volta dos soldados para casa, os fabricantes de automóveis voltaram a produzir carros com motores maiores e mais potentes e as disputas nos lagos secos voltaram mais fortes ainda.
Essas provas foram determinantes para consolidar o termo “hot rod” e se tornaram os principais eventos, reunindo mais de 200 carros e milhares de espectadores.
Nesta época surgiram muitos personagens e empresas que hoje são considerados lendas do universo hot rod, tais como; Alex Xydias, Bill Burke, Ed Iskenderian, Vic Edelbrock, Dean MoonSo-Cal Speed ​​Shop e tantos outros...
E não foi só isso, Muroc acabou se tornando um lugar "sagrado" para os recordes de velocidade, em 14 de outubro de 1947, Chuck Yeager partiu do Muroc Army Airfield e atingiu a primeira velocidade supersônica (Mach 1,07 ou 807,2 mph) com o avião-foguete Bell X-1.
Ao longo dos anos seguintes muitas tentativas de recorde mundial de velocidade em terra foram feitas em Bonneville, escolhido por ser um local de superfície mais apropriada, já os eventos "Land Speed ​​Racing" no deserto de Mojave continuam relevantes até os dias de hoje. Só em El Mirage ocorrem até 6 eventos por ano, de acordo com as condições de clima e terreno.
Passados mais de 70 anos, as corridas nos lagos secos e desertos continuam despertando fascínio, admiração e respeito dos amantes da velocidade. 
A história e a tradição das "land speed racing" está viva e, ao que parece, fica cada vez mais jovem com o passar do tempo!

12/08/2020

PIN-UPs

A arte "pin-up" 
(ou "poster" numa tradução literal para o português) tem muita afinidade com o universo Hot Rod e a Kultura Kustom, pode ser apenas pelo visual ou gosto, mas é inegável que uma modelo "pin-up" fica muito bem ao lado de um carro ou moto customizada.
Esta forma de expressão e arte é bem mais antiga que a aparição destes movimentos, existem registros de "pin-ups" desde a década de 1890. 
Nesta época artistas e principalmente atrizes burlescos (*) divulgavam seus shows e eventos através de desenhos, pinturas, fotografias e ilustrações publicadas em revistas, jornais, cartazes, calendários e até cartões postais. 
Na virada do século XX, com a fotografia cada vez mais popular, os trabalhos passaram a ter um mercado próprio, os modelos "pin-up" passaram a ser atrizes famosas e bonitas cujos trabalhos eram divulgados em exibições informais, como diz o termo, para serem pendurados em uma parede. 
No período da WWI artistas como "Miss Fernande", supostamente Fernande Barrey, fizeram muito sucesso entre soldados de ambos os lados do conflito. 
Miss Fernande
Nessa época as fotos e desenhos "pin-up" passaram a exibir mais sensualidade, grandes decotes e até nudez frontal, ficando conhecidas como "cheesecake", uma gíria americana para imagens de mulheres seminuas ou nuas.
Tais imagens bateram de frente com grandes tabus do início do século XX, afinal os conceitos sobre sexualidade e visibilidade pública desta época eram muito diferentes dos dias atuais...
Depois de um período de menor relevância e polêmica, as "pin-up" reapareceram com força em 1941, não por acaso durante o sombrio período da WWII e após os Estados Unidos se envolverem de fato no conflito. 
Atrizes famosas passaram a ser desenhadas e fotografadas em pôster e estes vendidos para entretenimento pessoal. Uma das personalidades "pin-up" mais populares desta época foi Betty Grable, cuja foto ou pôster era quase obrigatória nos armários ou mochilas dos soldados americanos.
Ilustração de Betty Grable
Outra manifestação que se popularizou na época de WWII foi utilizar "pin-ups" como inspiração para pinturas "nose art", os desenhos usados para batizar aviões e blindados de combate (falamos desse assunto aqui), hoje em dia vemos muito desta inspiração para batizar um hot-rod ou moto customizada.
O estilo "pin-up" da década de 1940 ficou conhecido como "beleza natural", porque existiam poucos recursos disponíveis para elaborar as imagens (roupas, maquiagem, recursos técnicos), e acabou sendo o estilo determinante das formas e estilo "pin-ups" que vemos nos dias atuais.
Entretanto, se engana quem pensa que existiam apenas mulheres "pin-ups", os "pin-ups" masculinos ficaram conhecidas como "bife" e, apesar de não fazer tanto sucesso, vários famosos como James Dean foram retratados neste estilo.
As imagens "pin-up" sempre provocavam muitas críticas, principalmente das feministas que, já na década de 1950, alegavam corromper a moralidade social e a dignidade feminina, diziam que tais "exibições sexuais públicas" atentavam contra os padrões morais. 
Com o final da WWII, milhares de soldados voltaram para casa e com eles vieram traumas e novos costumes, acelerando transformações sociais e econômicas.
Novos movimentos foram incorporados na cultura popular, principalmente nos EUA, tais como a Kultura Kustom, Hot Rods, centenas de motorcycle clubs, na Europa o movimento café racer e tantos outros.
Acabou sendo natural a modelagem "pin-up" tornar-se uma subcultura neste universo, voltando ao nosso "gear world" foi ficando muito comum pintar figuras no estilo "pin-up" para complementar o visual de carros e motos customizadas, principalmente nas personalizações que seguem estilos mais originais dos anos 1940, 1950 ou rat hod. Vamos lembrar que muitos pioneiros da customização da época serviram na WWII.
O estilo e ousadia "pin-up" é presente entre os membros das diversas tribos da Kultura Kustom, sendo expresso no visual das garotas (roupas, cabelo, maquiagem, etc.) ou até como estilo de vida. 
Podemos dizer que, poucos perceberam, esse movimento foi gradativamente inspirando "conceitos" sobre sensualidade e padrões de beleza, um dos primeiros exemplos foi a Gibson Girl, uma representação da "New Woman" desenhada por Charles Dana Gibson resumindo os padrões ideais de beleza feminina no começo do século XX.
Com o passar dos anos as imagens "pin-up" não deixou de se renovar, seja nos trabalhos comerciais ou na pintura de carros e motos.
Também foi incorporando as novas influências da moda e estilo no universo feminino cada vez mais respeitado, tanto que é adotado por várias personalidades e marcas atuais, tais como as cantoras Katy Perry e Lana Del Rey, a atriz Dita Von Teese ou no estilo das roupas de marcas internacionais como a Victoria Secret´s.
(*) Derivado da palavra Italiana "burla", que significa piada, ridículo ou zombaria.

18/01/2020

Art Himsl

Aqui neste Blog adoramos reverenciar os grandes ícones da Kultura Kustom e da customização de carros e motos, nomes como Ed Roth, Gene Winfield, Vic Edelbrock, Barney Navarro,  Dean Moon e outros, por isso chegou a vez de falarmos de Art Himsl, um dos maiores quando se fala de pintura customizada.
Nascido em 21 de março de 1940 em Saint Cloud, Minnesota, o pai de Art era agente do FBI, em 1946 decidiu deixar a agência. Ele pegou a família (esposa e 4 filhos) e mudaram-se para San Diego, depois em 1949 mudaram-se novamente para Concord, vivendo um bom tempo na casa de parentes até se estabelecerem de vez.
Nessa época, com apenas 10 anos, Art já começou a pintar carros iniciando com um Ford 1936, aos 13 anos ele já comprava o seu primeiro carro onde testava novas técnicas de pintura. 
Começou usando um pulverizador de insetos para jardim, óbvio que não funcionou tão bem e depois partiu para as latas de spray, mas quando usou 13 latas de tinta para fazer apenas um para-choque, Art decidiu que deveria comprar uma pistola e um compressor.
Naturalmente, Art tinha um grande talento natural e ideias criativas, mas cansado de tentativas e erros decidiu entrar para a Faculdade de Artes e Ofícios da Califórnia, em Oakland, foi onde ele aprimorou seus conhecimentos sobre teoria das cores, escultura, desenho, pintura e design. 
Foi nessa escola também que Art conheceu Ellen, que também era artista, e que acabou sendo a sua primeira e única esposa.
Aos 23 anos Art decidiu largar os estudos para trabalhar e abrir sua própria loja, a primeira funcionou em sua garagem, em 1963. 
Art conseguiu um emprego na Aerojet em San Ramon, Califórnia, durante o dia ele trabalhava pintando foguetes por US$3,75 a hora e a noite praticava sua verdadeira paixão, pintando carros em sua casa/garagem.
Naquele ano o seu irmão mais novo, Mickey, construiu um Ford T e Art pintou o carro, com flocos de metal violeta, colocaram um estofamento branco e o carro fez muito sucesso,  sendo até capa da revista Rod & Custom da edição de junho de 1963. 
No ano de 1965, Art decidiu investir para valer na sua oficina, aliás a oficina era tão pequena que não cabia nem um Cadillac. Junto com seu parceiro Ned Stilinovich abriram uma nova loja no centro de Concord em 1968, a esposa Ellen também ajudava no projetos, aplicando caricaturas e fotos pintadas à mão.
Naquela época eles já começavam a colecionar prêmios em diversos eventos e shows, em 1970 o trabalho de Art chamou a atenção do famoso customizador Andy Brizio, Andy o contratou para pintar o seu próximo projeto: um C-Cab de John Bonham, baterista do Led Zeppelin, mais tarde o carro apareceu no filme "The Song Remains the Same". 
Nessa época Art também se aventurou a pintar barcos de corrida (hydro boats) de até 40 pés, bem maiores e mais complexos do que pintar carros.
O sucesso, principalmente com a pintura customizada de vans, trouxe um bom dinheiro para Art e seus parceiros, tanto que 21 anos depois ele conseguiu comprar de volta a “Old Himsl House”, a casa onde sua família morou com seus tios em 1949 quando  mudaram-se de San Diego para Concord. Art e sua família vivem nessa mesma casa até hoje!
Com o passar dos anos Art ficou entediado com a rotina de negócios, foi quando ele decidiu fechar a loja em 1985, mas em 1988 Art foi procurado novamente por Andy Brizio para fazer um trabalho especial numa van, isso reacendeu a motivação e ele voltou a praticar sua paixão 🙏🙏.
Durante a década de 1990 foi Art Himsl quem fez quase todos os trabalhos de Andy e seu filho, Roy Brizio, em 1995 ele venceu o prêmio "Builder of the Year" do Grand National Roadster Show.
Atualmente, aos 80 anos, Art continua na ativa, mas aceita apenas projetos selecionados, ah, e com hora marcada! 
Torcemos para que ele continue fazendo estes trabalhos fantásticos por muitos anos.😎😎😎
Se quiser saber (ou ver) mais, visite o seu site e veja alguns dos seus projetos sensacionais em 40 anos de carreira.

09/11/2019

Mr. Gasser & The Weirdos

Para quem acompanha estes blog, não é muita novidade falarmos de Ed "big daddy" Roth e suas criações, como o indefectível Rat Fink.
A mente criativa de Big Daddy fez diversos carros, motos e personagens sensacionais, mas ele não parou por aí e também se aventurou pelo mundo da música, no estilo surf music, claro...
Essa história aconteceu no começo dos anos 1960, foi quando Ed Roth adotou um dos seus apelidos e nome do seu personagem, Mr. Gasser, para junto com alguns amigos criar uma banda chamada “Mr. Gasser & the Weirdos”.
Mas, de verdade, eles não eram bem um grupo musical tradicional, Roth e os seus amigos músicos gravaram apenas em estúdio e não saíram fazendo shows ou turnês pelas estradas americanas. 
Não consegui (ainda) descobrir se a proposta era essa mesma ou se houve alguma outra razão, talvez porque para Roth a banda não era mais uma diversão do que seu foco principal, vamos lembrar que naquela época os seus carros, personagens e produtos licenciados estavam fazendo muito sucesso (de público e renda).
Voltando ao assunto, o próprio Ed Roth assumia os vocais e grandes músicos de estúdio da época participaram da brincadeira, entre eles temos Glen Campbell (vencedor de um Grammy), James Burton (guitarrista indicado ao Rock Hall of Fame), Steve Douglas, Carol Kaye e Earl Palmer (também indicado ao Rock Hall of Fame), a produção das gravações ficou com o produtor e arranjador Gary Usher.
Os Weirdos não tiveram uma longa carreira, só lançaram três bizarros LPs através da gravadora Capitol Records, são eles; Hot Rod Hootenanny (1963), Surfink (1964) e Rods N 'Ratfinks (1964).
Os 3 LP´s tem ao todo 34 faixas, compondo a carreira "inteira" da “banda”. 
Ao ouvir as músicas é impossível, para quem tem mais de 45 anos, não lembrar dos filmes da década de 1960 que passavam na sessão da tarde, falando de surf music...
Mas, qualidade musical a parte, o destaque total fica com as capas dos discos, ilustradas com as famosas imagens dos personagens / monstros em carros envenenados e uma, claro, só com o Rat Fink, vale a pena dar um "zoom" nas imagens que estão neste post.
As músicas do grupo eram ligadas ao mundo de Ed Roth, ou Mr. Gasser, basicamente, contavam histórias sobre surf e hot rodding, ou seja, os passatempos favoritos de Ed Roth e sua turma. As letras reforçavam a ideia de que ser diferente ou estranho era bom, e ser da turma (ou Weirdo) era legal. 
Enfim, mais uma maluquice de um dos maiores ícones da Kultura Kustom.
Já conhecia ou gosta do som de Mr. Gasses & The Weirdos? 
Então dá uma conferida no material abaixo que encontramos no Youtube...

01/10/2019

Mick Jagger e os Hells Angels

Não é exatamente uma novidade, mas existem  pessoas que ainda se impressionam com a "longevidade" dos Rolling Stones perante tantos excessos do passado; mulheres, bebidas, sexo, drogas, etc. 
E, pelo que parece, Mick Jagger é o maior sobrevivente de todos, afinal além da "vida louca" ele também sobreviveu a uma tentativa de assassinato por membros dos Hells Angels! 😱😱😱
Wtf! Como assim? 
Calma, vamos contar essa história que de tão doida até parece ser pura invenção, mas foi bem real e séria...
Essa bizarrice ocorreu no começo dos loucos anos 1970, a data é um pouco incerta porque até alguns anos atrás o fato era pouco conhecido. 
Naquela época os Stones viviam o auge de popularidade, apesar disso tentavam a todo custo desvincular a imagem da banda com o trágico festival de Altamont (contamos tudo isso aqui) e, do outro lado desta história, os Hells Angels nunca se conformaram por levarem toda culpa pela tragédia.

Essa situação alimentou um forte desejo de vingança dos capítulos dos Angels envolvidos no episódio, eles queriam a todo custo dar o troco pela falta de apoio e lealdade dos Stones ao MC após o festival.

Então pensaram; "O que vamos fazer para se vingar?
Essa é fácil, vamos matar o Mick Jagger!!" 😱😱
Para levar adiante essa maluquice, bolaram um plano para atacar Mick Jagger na sua casa de férias, que ficava na área de Hamptons em Long Island, Nova York. 
propriedade era muito bem vigiada por seguranças particulares, então para não serem notados os motoqueiros decidiram chegar de barco, zarpando de Long Island Sound. 
Motoqueiros se virando no alto mar??!?! Esse plano deve ter sido elaborado por algum gênio do MC... 
Bem, felizmente, as coisas realmente não deram certo. Logo após zarparem eles foram apanhados por uma tempestade, o barco em que estavam foi inundado e acabou virando, jogando os malucos ao mar e, até onde se sabe, todos sobreviveram.
Na época o FBI estava na cola dos MC 1%ers e os Hells Angels encabeçavam a lista, mas este caso não trouxe maiores complicações com a polícia porque o caso só foi descoberto em 1985, durante uma outra investigação sobre os Hells Angels
Mick Jagger, ao que se sabe, nem percebeu na época que sua vida correu perigo e até hoje não fala abertamente sobre o caso. 
Jagger em Altamont, sob a "segurança" dos H.A.
Por isso tudo muitos detalhes desta história absurda permanecem desconhecidos, ninguém foi preso porque não houve nenhum crime e nenhuma queixa.
Os Angels nunca mais tentaram nada contra os Stones ou outras bandas que estiveram em Altamont, inclusive, em 1972 o Angel que cometeu o assassinato de Meredith Hunter, Alan Passaro, foi absolvido por legitima defesa porque Hunter também estava carregando uma arma.
Definitivamente, fatos como esse marcaram o declínio do otimismo hippie dos "Swinging Sixties” da década de 1960... 🎵🎵
O fim da era do "love and peace" ou "making love not war". 🌈🌈

20/08/2019

Pensadores - Sonny Barger

No original em inglês...
"In terms of pure workmanship, personally I don't like Harleys. 
I ride them because I'm in the club, and that's the image, but if I could I would seriously consider riding a Honda ST1100 or a BMW. We really missed the boat not switching over to the Japanese models when they began building bigger bikes. 
I'll usually say "Fuck Harley-Davidson".".
Ou em bom português...
"Em termos de acabamento puro, pessoalmente eu não gosto de Harleys. 
Eu as monto porque estou no clube, e essa é a imagem, mas se eu pudesse, seriamente eu iria considerar montar uma Honda ST1100 ou uma BMW. Nós realmente sentimos falta do barco não mudar para os modelos japoneses quando eles começaram a construir bicicletas maiores. 
Eu iria dizer "Foda-se Harley-Davidson".".
Uau! 😱😱 
Confesso que quando li essa afirmação do Sonny Barger me surpreendeu tanto que resolvi até publicar, afinal, diziam que marca de moto era "assunto sagrado" para os grandes "Motorcycle clubs" nos Estados Unidos. 
Se você não entendeu, então leia estes posts: 1%er, The Big Four, The Hells Angels, The Outlaws, The Bandidos e The Pagans.
Eh, parece que o tempo amolece até os corações mais peludos...

16/08/2019

Digger

Embalado pelo sucesso do filme “Easy Rider” lançado em 1969, a customização de motocicletas se popularizou rapidamente no começo dos anos 1970, principalmente nos Estados Unidos.
Neste movimento muito estilos de customização apareceram, tais como Chopper, Bobber, Scrambler, Tracker, Custom e o assunto deste post: DIGGERS.
As primeiras motos customizadas no estilo “Digger” (escavadeira) também surgiram no início dos anos 1970, recebendo forte influência das motos dragsters, chamadas de "drag bikes". 
O mestre Arlen Ness, que infelizmente faleceu recentemente em 22 de março de 2019, é considerado por muitos o criador deste estilo, dizem que ele criou a sua primeira digger baseada numa Harley Sportster depois de participar de um evento de drag Racing...
Na verdade, não sabemos se isso é verdade e nem mesmo importa tanto, o fato é que Ness foi mesmo o principal responsável por desenvolver e divulgar o estilo, criando trabalhos fantásticos ao lado de outros consagrados customizadores como Dave Perewitz, Donnie Smith e Barry Cooney.
As versões da origem do nome “digger” também diverge, alguns dizem que foi pela semelhança do estilo destas motos com as "drags bikes" da época, que também chamadas de “digger”, outra versão sustenta que as motos eram tão baixas que pareciam mesmo estar escavando o chão, logo a associação pegou... 
A definição de uma moto customizada no estilo Digger também sofre distorções, como as Chopper e Bobber, aqui vão as principais características de um bom projeto;
1) O visual da moto precisa ser longo e baixo, para obter esta aparência a estrutura do chassis é alongada com “backbones”.
2) Normalmente, são utilizados garfos dianteiros alongados, tipo Springer.
3) Tanques de combustível longos em forma de diamante e hexágono.
4) Escapamento destacado e barulhento.
5) Rodas grandes, no estilo "drag race".
6) E o motor? São bem vindas combinações de super chargers, turbos ou carburadores de corrida.
7) Pintura, claro, exclusiva bem trabalhada, abusando das cores chamativas e grafismo personalizado. 
Por tudo isso, muitos customizadores exploram estas características ao máximo, ao ponto das pessoas se perguntarem “como é que o piloto consegue se equilibrar nisso?”, de fato essa receita normalmente sacrifica o ponto de equilíbrio e a dirigibilidade da moto, mas isso faz parte do barato...
A capa de março de 1971 da revista Street Chopper foi a primeira revista especializada a mostrar uma Digger, durante a década de 1970 outras revistas deram muito espaço para o estilo em suas capas, as diggers eram as grandes estrelas de eventos como o Daytona Bike Week e Sturgis Rally
Porém, aos poucos, a partir da década de 1980 o estilo perdeu boa parte de sua notoriedade, ficando praticamente restrito aos concursos de customização. Não houve exatamente um motivo para tal, talvez parte desde "esquecimento" venha justamente da dificuldade de se usar uma moto digger no dia a dia ou simplesmente foi uma mudança de moda.
A boa notícia é que, gradativamente, nos últimos anos parece haver um resgate do espaço das diggers no universo da customização. 
Recentemente a empresa da família de Arlen Ness lançou um “kit” de chassis para montar motos Digger, além da consolidação de novos customizadores que fazem projetos neste estilo, tais como a OCC (da série de TV American Chopper).
Aqui ficamos na torcida, para nós, esse estilo é o maior barato.

22/03/2019

Colours (2/2)

Voltamos a falar de pintura, agora vamos falar um pouco das principais técnicas neste post...
ENVELOPAMENTO: Não é exatamente uma “técnica” de pintura, mas como o material utilizado vem evoluindo bastante e os custos estão mais atrativos tem se tornado uma opção interessante à pintura tradicional, mesmo que a durabilidade não seja definitiva.
A técnica consiste da aplicação de um vinil autocolante diretamente na carroceria do veículo, o envelopamento pode ser parcial, como capôs ou tetos, ou em toda a carroceria.
O resultado de uma boa aplicação será uma superfície sem bolhas ou recortes, deixando a impressão de ser uma pintura totalmente nova, por isso cuidado com recortes, fendas (portas, capôs,..), frisos e emblemas geralmente precisam ser retirados e recolocados. 
Existe diversas variações de vinil, pode ser liso ou com estampas e desenhos, representando um pouco da personalidade ou "tribo" do dono do carro. 
O mais comum é aplicação de um vinil fosco, mas existem opções brilhantes e as mais recentes cromadas.
Importante: Se a aplicação for de cor diferente do original será necessário modificar os documentos do veículo no DETRAN.
ADESIVAMENTO: Nesta técnica são aplicadas imagens sobre partes do carro, seguindo um determinado padrão ou tema. 
Quem não se lembra dos carros de "Velozes e Furiosos I"?
A intenção não é cobrir toda a área da pintura original, mas acrescentar alguns detalhes e ressaltar a personalidade do carro ou do dono do projeto de customização.
Não é necessário profissionais extremamente habilidosos para aplicação, mas paciência, cuidado e caprichoso para ter um trabalho bem feito. 
O material utilizado é semelhante ao envelopamento, normalmente vinil, e a durabilidade também não é definitiva.
PINTURA DÉGRADÉ: Também é uma técnica conhecida como pintura “camaleão”, ou em inglês "pearlescent".
Nesta técnica busca-se criar um efeito especial onde a superfície mude de cor quando avistada em diferentes ângulos ou sob variações de incidência de luz. 
É uma técnica bastante utilizada em projetos de tuning.
A aplicação envolve tintas e equipamentos especiais, muitas vezes tons feitos sob encomenda, por isso busque por profissionais experientes para fazer o serviço.
Como a cor original será modificada os documentos do veículo também devem ser regularizados, geralmente a cor do veículo precisa ser mudada para “Fantasia”.
PINSTRIPING: Esta técnica merece todo o destaque e nossa reverência, por isso não vamos falar neste post, junto com outras técnicas.
Basta acessar esta outra postagem aqui do blog, dá para ficar por dentro.
METAL FLAKE: Foi muito popular entre os customizadores da década de 1960 e 1970. Muito comum na customização de motos onde é combinada com outras técnicas como candy e dégradé.
Hoje parece que o "metal flake" caiu um pouco em desuso, talvez porque é necessário muito talento e experiência do pintor (artista) para ser bem-feita, coisas cada vez mais raras neste mundo globalizado...
Nesta técnica são aplicadas pequenas partículas metálicas, similar a purpurina, criando um intenso efeito de brilho. 
As tais partículas precisam ter origem metálica ou base de poliéster para não sofrerem com os diluentes utilizados na tinta e no verniz.
Após a aplicação da tinta base são aplicadas as partículas, que vão “grudando” na superfície, a granulação das partículas precisa ser bem maior dos pigmentos da tinta e ficam melhor com cores e tamanhos variados.
São necessárias técnicas e ferramentas especiais na aplicação, como a pistola “Flake buster”, para dispensar a mistura prévia das partículas, logo, também dispensa amadores...
CANDY: Nesta técnica são utilizadas tintas especiais para proporcionar à peça pintada o efeito de transparência mostrando a cor base utilizada. 
O objetivo é criar um efeito de brilho e profundidade, que varia bastante conforme a incidência de luz. 
Para chegar ao efeito “doce” é necessária uma combinação de tons e aplicações, normalmente é aplicado a tinta base, depois a tinta candy e então o verniz, cada uma destas fases em uma ou várias demãos.
O retoque de partes pintadas com tinta Candy é muito complicado, normalmente para se chegar no tom original é necessário pintar, pelo menos, a peça inteira. 
Enfim, muito bacana, mas outra vez não é para amadores.
PÁTINA: Aqui a ideia é dar aos carros e motos um aspecto envelhecido ou enferrujado, enfim, mostrar a “atitude” e "identidade" do veículo, muito comum nos Rat Hods (falamos disso aqui).
Por outro lado, também é bastante criticada pelos puristas, que sustentam que o aspecto "desgastado" deve ser fruto do envelhecimento natural e história do veículo.
Como os "rat rods" estão na moda entre diversas tribos de entusiastas, muitos customizadores se especializaram em recriar as pinturas desgastadas. 
Um ponto positivo é que costuma ser uma técnica bem mais barata que outras, pois não requer materiais caros ou sofisticados, apenas lixas, latas de spray e muita criatividade.
Dizem que mesmo errando o resultado final será bom, mesmo assim cuidado com excessos...
FLAMES: É outro estilo que foi muito popular na década de 1960. 
O objetivo é a reprodução de chamas, em partes ou em toda a carroceria, passando a ideia de uma máquina radical, feroz, veloz, etc.
Para reproduzir o fogo em movimento existem diversas técnicas, podem serem usadas máscaras delimitando o formato, aerógrafo ou aplicação de múltiplas cores de tinta (do branco para o vermelho).
No início as pinturas de chamas eram muito genéricas, geralmente começavam logo atrás das rodas dianteiras, desciam pelas laterais até chegar no meio ou traseira. Depois vieram cores diferentes, como verde ou azul, e os artistas foram criando seu estilo pessoal.
Os maiores nomes neste estilo foram Ed "Big Daddy" Roth e George Barris, hoje muitas artistas dão continuidade a arte como Mike Lavallee criador do estilo “fogo verdadeiro”.
DOIS TONS (SAIA-E-BLUSA): Utilizar dois ou mais tons de cores vem desde os primórdios da fabricação de carros e motos, pode ser de uma mesma cor ou de cores diferentes.
Nos Estados Unidos durante os anos 1950 este foi um estilo largamente utilizado, visando maior sofisticação e requinte ao veículo. 
No Japão e na Europa passou a ser utilizada com maior frequência em meados de 1960, mas de forma mais discreta, preferencialmente em marcas de luxo como a Rolls-Royce e Bentley.
Aqui no Brasil o estilo dois tons acabou ficando conhecido popularmente por “saia e blusa”, esteve bastante presente nos anos 1960 e depois voltou, timidamente, nos anos 1980 (lembram do Monza Classic, Opala Comodoro?), agora é visto até como mal gosto.
Na customização, porém, foi e ainda é uma técnica bastante utilizada, com maior liberdade de mistura de cores e formas, sempre visando agregar exclusividade e fluência nas linhas do veículo.
😜😜 Por hora é isso pessoal, agora é só se inspirar e começar, para não errar fica a sugestão de começar pelo carro de sua sogra...